Do que você tenta fugir quando se distrai?

A distração constante nem sempre é descanso e pode funcionar como uma forma de evitar emoções difíceis, como ansiedade e conflitos internos. O texto explica o que costuma estar por trás desse padrão e seus impactos no bem-estar emocional. Também apresenta a psicoterapia como um espaço seguro para compreender sentimentos e desenvolver formas mais saudáveis de lidar com o sofrimento emocional.

Publicado em 21 de janeiro de 2026
5 a 6 minutos
Do que você tenta fugir quando se distrai?

Do que tanto você tenta fugir quando se distrai?

Você já percebeu como, muitas vezes, o dia termina e fica a sensação de que esteve ocupado o tempo todo, mas sem realmente ter estado presente?

Celular, séries, redes sociais, trabalho excessivo, compromissos em sequência. A distração constante pode parecer descanso, mas nem sempre é.

A pergunta que costuma ficar escondida é: do que você está tentando fugir quando se distrai o tempo todo?

Distração não é descanso

Descansar envolve pausa, recuperação e presença.

A distração, por outro lado, muitas vezes funciona como um afastamento emocional. Um jeito de não entrar em contato com sentimentos que incomodam, como ansiedade, angústia, tristeza, frustração ou conflitos internos.

Quando a mente não para, às vezes não é porque ela está cheia demais, mas porque silenciar parece ameaçador.

O que costuma estar por trás da distração excessiva

Na prática clínica, é comum que a distração constante esteja ligada a:

  • ansiedade e antecipação excessiva
  • dificuldade de lidar com o vazio ou com o silêncio
  • medo de entrar em contato com emoções antigas
  • conflitos nos relacionamentos
  • autocobrança intensa
  • sensação de inadequação ou fracasso

A distração funciona como um alívio momentâneo, mas não resolve aquilo que está sendo evitado. Pelo contrário: quanto mais se foge, mais essas questões tendem a retornar, às vezes com ainda mais intensidade.

O custo de fugir de si mesmo

Quando a distração vira padrão, alguns sinais começam a aparecer:

  • cansaço constante, mesmo sem esforço físico intenso
  • dificuldade de concentração
  • sensação de vida no “automático”
  • irritação sem motivo claro
  • sensação de que algo está faltando

Não é raro que a pessoa diga:

“Quando paro, fico pior.”

Isso não significa que parar seja o problema, mas que existem conteúdos emocionais que ainda não encontraram espaço para serem elaborados.

Psicoterapia: um espaço para parar com segurança

A psicoterapia não é um lugar para forçar respostas nem para “remexer” no que a pessoa não dá conta.

Ela é um espaço de escuta, cuidado e reflexão, onde é possível diminuir o ritmo e, aos poucos, compreender aquilo que vem sendo evitado.

Em vez de fugir, o trabalho terapêutico permite:

  • nomear emoções
  • entender padrões de comportamento
  • reconhecer limites
  • construir novas formas de lidar com o que dói

Quando há sustentação profissional, parar deixa de ser ameaça e passa a ser possibilidade.

Fugir cansa. Compreender alivia.

A distração não é o problema em si. Todos precisamos, em alguns momentos, nos distrair.

A questão é quando ela se torna a única forma de lidar com a vida emocional.

Talvez a pergunta não seja “por que me distraio tanto?”, mas sim: o que em mim está pedindo atenção?

Se sentir que é o momento de olhar para isso com mais cuidado, a psicoterapia pode ajudar.

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